“Acho que toda editora deveria olhar para o mercado nacional, tanto de BL quanto quadrinho no geral”, afirmou Diogo Prado, fundador da Baú Editora, durante o painel “Editores discutem: como é editar BL no Brasil?” na Blymecon, realizado neste domingo (23). O evento virtual, dedicado exclusivamente a BL (boys’ love), reuniu também representantes da JBC e MPEG.
“Tenho percebido mais abertura do público [em relação a títulos nacionais]. Acho que antes tinha preconceito de ‘se não é japonês, não é bom’, mas agora isso mudou”, afirmou Iara Rivelli, editora da MPEG, que ampliou o debate para obras GL (girls’ love). “O GL ‘48km’ [de Iaranaika], se passa no Nordeste e hoje as pessoas acham isso genuinamente interessante. Tem muito espaço e as editoras estão correndo atrás”, afirmou.
Patrícia Machado, editora da JBC, concordou com os colegas de debate e relembrou o sucesso de Cosmico, de Caio Yo, publicado pela editora. “O quadrinho nacional está num momento muito bom e o público está muito aberto. O público gosta justamente por ser quadrinho nacional. ‘Cosmico’, por exemplo, foi o anúncio da JBC em uma CCXP e vendeu muitíssimo bem naquele ano”, disse.
Debate abordou as experiências profissionais dos participantes
Durante o papo, Diogo, Iara e Patrícia relembraram suas trajetórias até chegarem às suas respectivas editoras. Os profissionais ressaltaram que a função vai muito além da leitura do texto, sendo um processo de “lapidação” do texto e tudo que envolve a obra até que ela seja publicada.
“O editor acaba sendo, especialmente na área de quadrinhos, a pessoa que, além de ler o texto e padronizá-lo, gerencia todos os departamentos. Até o mangá estar pronto, o editor é a figura centralizadora de tomada de decisão”, afirmou Diogo Prado. Patrícia e Iara se uniram ao coro e afirmaram que o trabalho do editor é “quase invisível”, sendo notado apenas quando algo dá errado.
Sobre o futuro do gênero BL, além dos títulos nacionais, Patrícia disse que as obras boys’ love deixaram de ser negligenciadas no país e que isso exige agora uma curadoria cada vez mais refinada. “Não é só porque é BL que irá fazer sucesso, o público agora exige um pouco mais”, afirmou.
Iara ponderou que o próximo passo do mercado brasileiro será ultrapassar o papel, expandindo para a comercialização de colecionáveis e merchandising oficial (como acrílicos e pelúcias), processo que ainda esbarra em custos de importação e barreiras alfandegárias.
Nas considerações finais, os convidados celebraram celebrou o fato de o mercado permitir, hoje, um painel composto por editoras de diferentes portes debatendo a diversidade e o crescimento contínuo do boys’ love no Brasil.
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